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Champagne Choque

Champagne Choque

A Martine chegou cá a casa

A comunicação social está, desde ontem, louca com a história da Anita que virou Martine. Descobriram agora, porque a editora lhes mandou um comunicado. Ora, eu já tinha falado disso aqui a semana passada (só para verem como "sou de olhão" e reparo nestas coisas antes de toda a gente). Fiz um post que se encheu de gente indignada como eu. Foi uma rebaldaria de visualizações porque o Sapo, atento que é, destacou o post na homepage e veio tudo aqui para o estaminé, para nos indignarmos todos juntos. Foi bonito de se ver.

 

O post chegou a muita gente e, claro, chegou à editora portuguesa dos livros da Anita Martine, também. A Zero a Oito viu o meu desgosto e decidiu tentar amenizar a minha dor. Enviou-me dois livros e uma cartinha com a explicação da coisa. 

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Martine é o nome belga original. Ao que parece a mudança é uma decisão da editora-mãe, a Casterman, que está a implementar esta alteração aos poucos em vários países. Querem globalizar o nome de nascença da miúda e apagar as adaptações que cada país fez para que, assim, todos a tratem da mesma forma. Se o Harry Potter e o Mickey, entre outros, são conhecidos no mundo todo com o mesmo nome, porque é que a Martine não é?, pensam os senhores da editora. "Esta razão, aliada ao conceito de ‘aldeia global’ em que vivemos atualmente, faz com que a decisão de voltar às origens ganhe todo o sentido”. Eu percebo o lado deles. Mas então tinha chegado a Portugal logo como Martine. Digo eu. 

Mudou o nome mas as histórias, ao menos, são as mesmas. 

 

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Diz a Zero a Oito que "as crianças de hoje vão adorar ouvir as histórias que nós tanto gostámos de ler em pequenas, afinal elas não sabem quem é a Anita". Quem cresceu com os livros da Anita dificilmente aceitará de bom grado esta mudança. Mas a verdade é que as gerações futuras vão conhecê-la logo como Martine, não lhes vai fazer confusão porque não sabem que antes já teve outro nome. Vão habituar-se e gostar da Martine como nós gostávamos da Anita.

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Podemos dizer que não, que os nossos filhos no futuro vão levar com as nossas coleções antigas da Anita, que assim é que é. Mas se pararmos para pensar vamos perceber que depois eles vão falar da Anita na escola e nenhum dos coleguinhas vai saber quem ela é. E os nossos filhos vão ficar Martinó-excluídos no meio dos miúdos da idade deles. Não podemos ser "egoístas" ao ponto de querer que eles vivam as coisas como nós as vivemos. 

 

O meu coração batia pela Anita, pelos Onda Choc, pelas Spice Girls. O dos meus filhos certamente baterá por outros livros, outros grupos infantis, outras músicas, enfim. É natural. Já se sabe que nós somos avessos a mudanças. Foi assim quando o escudo passou a euro, é assim agora com o acordo ortográfico. Não gostamos e dizemos sempre que "Antes é que era bom". Mas a seu tempo habituamo-nos à mudança. Sempre. Tenho a certeza que com estes livros há-de ser assim.