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Champagne Choque

Champagne Choque

O diferente está na Moda!

E ainda bem! Há cada vez mais notícias de que o mundo da moda está a deixar de ter uma visão anorética do que entende por perfeição e a abrir os olhos para corpos bonitos e saudáveis. Claro que para ser modelo é preciso cuidar do corpo, da imagem, mas isso não quer dizer que as mulheres tenham que pesar 38 kg e sofrer horrores para não engordar. É uma discussão antiga mas acho que felizmente as coisas estão a mudar. Com passos pequeninos, é certo, mas devagar se chega longe. 

 

E alguns desses passos foram dados, literalmente, esta semana na New York Fashion Week. Um grupo de mulheres, com peso considerado acima do normal no mundo das passerelles, desfilou uma coleção de lingerie da marca Addition Elle desenhada pela modelo Ashley Graham, ela própria uma modelo plus size. Chegaram, viram e sambaram na cara daquela gente toda.

 

Todas desfilaram com orgulho do corpo que têm, com confiança e seguras de si. E, na verdade, a sexyness feminina vem toda desta forma de estar. Podem ver o vídeo do desfile aqui

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Mas o tema não acaba aqui. Chega de achar que só miúdas esqueléticas com 17 anos é que podem ter sucesso no mundo da moda. Nem de propósito vi esta notícia também esta semana, que deve ser uma inspiração para todas as mulheres que acham que a partir de uma certa idade a beleza é coisa do passado e censurar toda a conversa que comece "no meu tempo é que era...". Não tem que ser assim. Há que assumir o que cada idade tem de bom e ainda bem que há marcas que hoje em dia abrem espaço a rostos e corpos de mulheres mais velhas nas suas campanhas.

Yasmina Rossi tem quase 60 anos, assume o cabelão branco como um dos seus trunfos e continua a modelar. Fez campanhas para marcas como Yves Saint Laurent, Hermes e Marks & Spencer e diz que é muito mais feliz hoje do que quando tinha 20 anos. Adoro.

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O que é que a nossa roupa diz de nós?

Vivemos numa sociedade em que é mais fácil criticar do que elogiar. Infelizmente há mais velhos do Restelo do que que pessoas a verem o copo meio cheio. E isso nota-se em pequenas atitudes todos os dias. Julgar o próximo faz parte da rotina diária de muita gente, tal como beber café de manhã e ver o telejornal à hora de jantar. 

 

E o papel da Mulher, em particular, é especialmente difícil. Estamos ainda muito longe de haver igualdade de géneros, não só em termos de salários para homens e mulheres na mesma posição, mas nas atitudes tidas como aceitáveis em sociedade. Estamos muito longe de uma mulher poder sair com vários homens e não ser chamada de...vocês sabem. Quando ao contrário, um homem que saia com muitas mulheres, é o maior. Estamos muito longe de não julgar uma mulher mais gorda na praia, quando um homem gordo passa completamente despercebido. Estamos longe de cada mulher poder assumir o estilo que quiser sem ser olhada de lado na rua. Vivemos numa sociedade em que é notícia um autocarro da Carris ser conduzido por uma mulher, como se fosse algo sobrenatural. E onde uma mulher que confesse não saber cozinhar recebe olhares de estranheza, como se fosse uma habilidade que tivesse que nascer com ela.

 

Somos julgadas pelos homens e muitas vezes também por nós, mulheres. Mulheres a julgar mulheres. Quando já basta sermos escrutinadas ao olhar masculino. Exigem que sejamos as melhores donas de casa, mesmo quando se trabalha mais de 40 horas por semana. Exigem que estejamos sempre bonitas, mesmo quando não temos tempo para nós. Mulheres que se deviam apoiar, defender-se, muitas vezes são as que atacam outras mulheres. A questão da roupa é um dos maiores exemplos. Julgamos alguém pela roupa que veste. Seja numa entrevista de emprego, num primeiro encontro ou numa saída à noite. Nós mulheres sabemos bem que olhamos para a roupa de outra e pomos mil defeitos. Mas, felizmente, cada uma é livre de ter o estilo que quiser, seja mais sóbrio ou a dar nas vistas. É a tal coisa do "gostos não se discutem".  Uma mulher não tem que gostar de andar de saltos altos, não tem que gostar de vestidos, nem de pôr rímel e batom. Não é menos mulher por isso. E se gostar de usar saltos de 15cm, saias justas e decotes generosos é sinónimo de promiscuidade? É-se presa por ter cão e por não ter. Ou somos puritanas ou somos badalhocas. Será o comprimento da roupa parâmetro suficiente para definir o carácter de uma mulher? 

 

É por isso que esta campanha da Miami Ad School de Hamburgo me chamou a atenção: "Não meça o valor de uma mulher pelas suas roupas". Com criatividade, simplicidade e perspicácia convidam à reflexão sobre este tema. As imagens falam por si.

 

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